Legado de Jobs

Posted by Daniel Lopes on 15/10/2011

Acabei de ler este texto da MacMagazine que reflete bem uma parte do que respeito na estratégia da Apple. Vou aproveitar o gancho para um post sobre o que é o real legado de Jobs, no meu ponto de vista.

Como designer de interface, vejo a Apple atual como a única gigante da computação e uma das poucas empresas do mundo que entendem realmente o significado da palavra design.

Apple

Citando um trecho da entrevista do ilustríssimo Dieter Rams (gênio de Design da Braun) no documentário Objectified:

“Today you find only a few companies that take design seriously, as I seet it. And at the moment that is an American company. It is Apple.”

Na verdade eu penso no sucesso da Apple muito além da plataforma vertical e integrada.

Vejo como a única empresa mundialmente conhecida em tecnologia que consegue fazer o que todos nós, como profissionais de TI, deveríamos tentar: Simplificar as coisas.

Nitidamente uma empresa que foca na experiência do usuário, o que é perceptível em quase todos os seus produtos e acabou virando sua marca: “Just Works”. Esta busca é o que significa “design” do meu ponto de vista e a integração Hardware/Software é um reflexo deste esforço.

Então o “design” da Apple é o que desperta minha admiração aos produtos empresa.

Steve Jobs

Quanto a Jobs como profissional, antes de definir a razão da minha admiração e respeito, preciso definir um contexto. O meu significado para a palavra fã (que odeio).

É uma palavra normalmente usada para explicar o comportamento ridículo e nada pragmático de pessoas que se agarram a coisas e pessoas sem tirar nada de aprendizado disso. Bem diferente de inspiração ou admiração.

Sobre o legado de Jobs, ao meu ver o texto da MacMagazine não esclareceu o ponto que mais admiro no trabalho dele.

Muitas pessoas levantam o ponto que Jobs não inventou isso ou aquilo, apenas deu uma cara nova. É a mais pura verdade.

Porém, de nada adianta você criar as melhores coisas do mundo e ter as melhores idéias se não conseguir executar. Quando falo em execução é me referindo ao sucesso como um todo. Ou seja, visionário é quem vê oportunidades onde mais ninguém vê.

De nada serve um mouse sem o polimento para ele se tornar comercial. Vender e popularizar uma coisa e continuar melhorando é até um trabalho bem maior que inventar uma nova tecnologia.

Pessoalmente, vejo um valor heróico em uma pessoa como Jobs que colocou nas mão do publico comum (com qualidade) avanços como touchscreen, GUI, mouse, –>smart<-phones, WIFI doméstico, tablets, loja de apps, retail-stores, música digital, animação digital e muito mais.

Vejo mais valor até mesmo que empresas como a Xerox ou outras que inventaram a tecnologia e não souberam o que fazer com ela.

Tecnologia por tecnologia é coisa de nerd chato. Tecnologia para resolver problemas das pessoas é o que nós, profissionais, deveríamos almejar.

O maior legado de Jobs, na minha opinião, é o tapa na cara de uma industria de tecnologia que falha projeto atrás de projeto, que entrega produtos que ninguém “normal” consegue usar e que tenta se agarrar em burocracia (coff metodologias coff) ao invés de focar na experiência do usuário.

Emplacar sucesso atrás de sucesso nos últimos 12 anos é enxergar o futuro e executar, diferentemente do restante do mercado.

E o mais fantástico é conseguir esses feitos lidando simultaneamente com o maior problema que uma pessoa pode ter, sua saúde.

Obrigado Steve Jobs pela lição e inspiração.

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